sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Carta número 1

Querido filho,

Hoje acordei sem muitas esperanças. Sim! Pode ser que contem a você o quanto os dias de seu pai são difíceis. De fato, não quero enganá-lo: o são! As pessoas dos dias de hoje são demasiadamente egoístas, habituadas a serem hipócritas. Ostentam uma personalidade boa, um poder, um estado social que na imensa maioria das vezes não correspondem à realidade. Filho, fico feliz que não tenha nascido ainda!

Após levantar da cama, lembrei-me de um cartunista muito genial, argentino, Joaquín Salvador. Seu apelido e sua assinatura da obra eram dados por: "Quino". Um personagem seu, imensamente genial como ele próprio, chama-se Mafalda. Uma menininha que adora refletir sobre o mundo. Estou resumindo, entenda... Ela acorda um dia e afirma que por vezes é difícil acordar e "descer ao mundo". Sim, filho! Por vezes tem sido assim. Espero que no dia em que estiver adulto, as coisas sejam lindas como sonho para você. 

O mundo de paz, harmonia, gentilezas e amor, ou seja: o mundo feliz que sonhamos hoje, sonharam ontem e creio ainda será nosso sonho, não nos chegou, filho. É difícil, mas tenho que te contar: seu pai, assim como os outros anteriores e atuais a ele, falhou. Tenho errado, filho! Há tantas coisas por fazer. Tanto a melhorar, mas não tenho conseguido construir o mundo adequado a você. Por favor, não se zangue, mas estou lutando, dando meu melhor - mas, confesso, estou muito aquém e o mundo não vai bem...

No mais, filho, esse é nosso primeiro contato.

Espero poder conversar mais vezes, muitas vezes com você.

Ansioso pelo amanhã, despeço-me de você e deixo cá meus beijos, filho.

P.

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